"Se tivesses acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria." (Charles Chaplin).


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Palavras sobre palavras: "Sombras do Passado" (Neil Jordan).

Começa assim: "Sei exatamente quando morri." De vez em quando eu me interesso por um romance desde sua primeira frase - não que isso seja essencial - foi o caso com "Sombras do Passado", o livro do diretor cinematográfico Neil Jordan (diretor de "Entrevista com o Vampiro"). O romance conta a história de Nina, uma atriz irlandesa assassinada num dia comum de janeiro pelo seu melhor amigo, e é a partir deste ponto da história que o fantasma de Nina resolve contar sua história, começando da infância.
O livro se desenrola entre passado e presente na mesma proporção, deixando que os acontecimentos do presente se misturem com os do passado. Deixando que a atualidade revele velhas mágoas e segredos.
O passado de Nina oscila entre a pureza infantil e a hostilidade e tensão da juventude, tendo em todos esses momentos a companhia de seus melhores amigos, Janie e George e de seu meio-irmão Gregory que entrou atrasado na sua vida, da mesma forma que se atrasaria para visitar o 'defunto' da irmã anos mais tarde.
Um livro encantador, com belas descrições - muitas vezes exageradas, mas relevemos - com personagens até certo ponto originais. E até uma certa dose de temas polêmicos, como incesto, e aborto.
Enfim, um livro irlandês, com paisagens irlandesas. Valeu a pena.

Nota: 9.0

sábado, 3 de janeiro de 2009

Fluxo de formigas.

Daqui de cima dá pra ver as pessoas se movendo.
Parecem formigas.
Mas, só parecem. Na verdade, não são tão trabalhadoras.
Só são vermelhas.
Pequenas.
E muitas.
Como formigas devem ser.
Elas mudam de direção... Mudam de idéia.
E se vão...
Elas se esbarram...
Convergindo direções... desejos.
Divergindo sonhos, opiniões.
Esperando ação... esperando que o outro tome a frente, tome atitude.
E quando alguém toma...
Divergem novamente.
Distroem-se....
Eles se iludem... Eles se comovem. Eles amam um ao outro. Eles se matam entre si.
Trazem a morte.
E os vivos riem. Sobrevivem!
Seguem adiante...

Daqui de cima, eu vejo alguém que atravessa fora da faixa. Um carro em descontrole o atinge.
Morre.
O carro se vai.
Não pára.
Ninguém pára.
As formigas continuam em movimento. Perseguindo sonhos, perseguindo o vento. Atravessando o mundo. Estão em toda parte. Vão em todas as direções.

Tudo continua. Tudo muda.
E daqui de cima, eu espero...
A hora de acabar.

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