"Se tivesses acreditado na minha brincadeira de dizer verdades, teria ouvido verdades que teimo em dizer brincando, falei muitas vezes como um palhaço mas jamais duvidei da sinceridade da platéia que sorria." (Charles Chaplin).


quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Justificando atraso.


Ainda não comecei um ano novo, apesar de o calendário discordar de mim. O fato é que estou agindo no passado, as atitudes do ano anterior não me deixam.
Sei que quero ser diferente agora. Quero ser melhor. Só que ainda não sei como. Dessa forma, deixo o ano ir chegando aos poucos... aos pedaços. Enquanto eu elaboro planos. E no momento... apenas pretendo descansar. Foi um ano longo.
Longo...
Descobri coisas.
Desaprendi tantas outras que me fazem falta.
Faz falta demais...
Ah, essa vida que vai embora me deixando nostálgico.
Então fico por aqui. A nostalgia me deixa mal das idéias.
E sem idéias não há muito para se dizer.
Não há nada.
É tudo tão nada quando se acaba. Que eu fico aqui pensando em tudo que me fez sentir qualquer coisa. Em tudo que me fez sentir... Me fez sentido.
E se sou o que sinto.
Eu sinto que não estou só.
E só não estando, inspiro-me.

Inspiração... já é parte de um plano.

...
2009 educadamente telefonou pra avisar que vai chegar. E dessa forma, não há escolhas... tenho que elaborar meus planos. E por serem tantos me obrigam um descanso.

Logo...
Retiro-me.

P.S: Aos que já o abraçaram... Feliz Ano Novo.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

O tédio.


Sinto-me bem.
E também sinto saudades...
Talvez seja o clima, não está chovendo, mas como faz frio às vezes... pode ser que tenha algo a ver.
Os dias estão passando lentos... ou rápidos. O fato é que passam... E me parece que estou parado.
A inércia.
O tédio.

De vez em quando me vem a mente que haverá coisas novas daqui pra frente...
Preocupo-me.
Preocupação tem preenchido mais do que qualquer coisa nos últimos dias. Da vontade de ter certeza, mas já que não tenho... preocupo-me.
Com a mesma frequência me apego as lembranças, porque é das lembranças que brotam a saudade afinal...
Lembro-me de papel... lápis... cadernos... livros... alunos... aulas... risos... gargalhadas... os exageros típicos da adolescência... É bom lembrar, a parte chata é perceber que é passado. A gente quer tanto de volta as coisas quando elas passam, e na maioria das vezes mal aproveita o instante quando ele é presente... quando ele nos pertence e pertencemos a ele. Eu sou assim, e deveria falar apenas por mim, mas já que generalizei, não me darei ao trabalho de apagar... ando um pouco apressado, como se houvesse algo pra fazer... Mas na verdade, é só o tédio.
Tenho estado com ele.
Tenho o sido. Desde o fim....
Os dias que se seguiram ao fim - das aulas, dos exageros adolescentes, e de tantas outras coisas que agora fazem parte de uma fase passada - me vieram em forma de tédio, de preguiça e de vontade de lembrar. E eu aceitei o que veio, me serviu como uma luva. Mas já basta.
Agora é hora de ficar de pé... E uma vez erguido quero estar pronto para as novas experiências, hoje me deu vontade de experimentar cheiros, gostos.... o futuro em si. Quero experimentar o que está vindo. E boas ou não, sei que serão experiências marcantes, e as marcas tem me bastado quando me faltam as alegrias, espero que ao menos isso não mude. Daqui a pouco vou voltar a escola. É o que chamam de "aula da saudade", e eu aprecio o fato do nome me cair tão bem. Sei que será bom, também sei que é tudo que eu preciso para lembrar. Mais lembranças... A idéia me agrada.

De qualquer forma, sinto-me bem. Me despedi do tédio essa noite. E ao levantar esta manhã, deixei as preocupações na cama, quero apenas me sentir bem. Pelo menos por enquanto...

P.S: Feliz Natal. Espero que ainda seja em tempo...
P.P.S: Perdoem-me se fui espontâneo demais...

sábado, 20 de dezembro de 2008

Palavras sobre palavras: "O jogo do anjo" (Carlos Ruiz Zafón)

"Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele." (Carlos Ruiz Zafón)


É quando um homem está no fundo do poço que essa história se desenrola. Martín é um escritor de muito talento, porém de poucos amigos. E depois de muito sucesso publicando uma série de livros com um pseudônimo, resolve publicar a obra dos seus sonhos (“Os passos do céu”) em seu próprio nome, mas infelizmente devido a intrigas de seus desafetos – bastante rancorosos por sinal – publicadas em colunas literárias, o livro e junto dele o autor vão ‘ao buraco literário’. Além disso, ele descobre que seu grande amor da infância está noiva de seu melhor amigo. Em meio a tudo isso, David Martín descobre-se mortalmente doente. E é quando se encontra fracassado, a beira da morte e duplamente traído que ele conhece Andréas Corelli, homem coberto em mistério e de caráter duvidoso que lhe oferece uma proposta irrecusável. Faz-se um pacto.

Do mesmo criador de “A sombra do Vento”. É este um livro que não se pode deixar de ler. Um suspense bem construído, personagens bem formados e um final surpreendente, embora não muito agradável.


Nota: 9.5

Pequenas Tragédias. - Parte II.


Foi preciso fugir para descobrir que não podia viver só.
Esteve tão frustrado com seu mundo...
Que achou que seria diferente estando longe.
Mas não foi.
Perfeitamente o mesmo. Embora, haja um erro no emprego de “perfeito”.
E agora que não mais havia abrigo, a clareza dos fatos o assombrava no meio do escuro do desconhecido:
De fato, eis o problema... o seguindo. Indo junto por todo caminho.
Eis o problema: ele. Somente ele. E ele está só.
Olhou pra trás.
Quis tanto estar perto quando se sentiu sozinho.
Havia um mundo de luzes.
De cotidiano.
De segurança.
Quis voltar. Mais do que tudo, quis não ter errado tanto. Mas errou!
E ela não o aceitaria de volta;
Não seria mais aberta a porta.
Nem o coração.
Fechou-se!
O tudo fechou-se ao seu redor. Sufocava.
Correu no escuro... Deixando para trás.

As luzes se fizeram distantes.
O problema partira. Em busca de solução.

Não a encontrará.
Vai viver sozinho. Perdido. No escuro.
Até que morra.

R@mon_Vitor.

Diálogo.


— Que dia horrível...

— Qual você prefere: o verde ou o rosa?

— Você nem vai acreditar quando eu te falar... Eu ainda nem acredito.

— O verde é mais curto nas pernas. Você se importa?

— Ele perguntou se eu me importava. Acredita? Ele estava me demitindo, e perguntou se isso tinha importância. É um absurdo.

— Já o rosa, tem essas alças mais sensuais. Concorda?

— Aí eu perdi o controle. Começei a gritar. Disse pra ele que eu tinha meus direitos. Afinal, eu tenho meus direitos. Não é assim...

— Ah, essa minha indecisão. Pensando bem, tem aquele amarelo que você me deu no aniversário de casamento... Gosta?

— Logo eu... Eu que sempre fui o apóio daquela empresa. Logo eu... que fiz tudo... Agora...

— Não! Absolutamente, esse amarelo está fora de moda. E muito mal me cabe. Vamos ver o verde de novo.

— O que será de nós agora? O que será de mim? Sem um emprego...

— Na verdade, nem é tão curto nas pernas assim. Olhando desse ângulo, até parece longo demais. E longo demais é antiquado. Ai, como minha vida é difícil.

— Como minha vida é difícil. Como minha vida é horrível. Quem vai pagar a escola das crianças?

— Pronto. Agora sim. Vou com o rosa, com certeza. Como é bela a vida.

— Eu quero morrer...

— Vamos?


R@mon_Vitor.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pequenas Tragédias - Parte I.


Quebrou-se.
Não pôde manter-se inteiro. Nem quis.
Mas, quis tanto ser bom que simplesmente nem foi. Desfez-se em pedaços de nada. Pois não foi o que desejou. Foi muito... Mas não tanto. Não tudo.
Desejava tanto... E o tanto não era palpável, mas era o bastante. Mesmo que ele não soubesse, bastava!
Um mundo inteiro debaixo de seus pés. Um horizonte aceso de possibilidades, mas ele preferiu subir ao alto... das pedras. E se ao menos bastasse isso pra cair em si... Mas não foi.
Caiu de si. De cima.
Caiu ao chão.
Quebrou-se.

Pedaços espalhados em terra.
A terra cobrindo os pedaços.
Ele não era mais.
Na verdade, nem se sabe se havia sido.
...

R@mon_Vitor.

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